Hoje, 29 de dezembro de 2025, completam-se exatos 30 anos desde que a Câmara Municipal de Barra do Corda se reuniu, após uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), e cassou, por ampla maioria, o mandato do então prefeito Elizeu Chaves Freitas, considerado por vários anos a maior liderança política popular da história do município.
Com um mandato bastante conturbado, Elizeu Freitas passou a enfrentar problemas com a Câmara Municipal. O líder político que arrastava multidões nas campanhas eleitorais já não conseguia manter uma boa convivência com os vereadores.
A corda foi esticando e, mesmo sendo aconselhado ao diálogo, Elizeu Freitas optou por peitar os vereadores e, ao final, acabou perdendo o mandato.
Uma CPI foi criada, tendo como presidente o vereador Valdomiro e como relator o vereador Chiquinho Almeida. Com o fim da comissão de inquérito, o relatório foi pela cassação do mandato de Elizeu Freitas.
Ao chegar ao plenário da Câmara, apenas um vereador, Nenzin, votou contra a cassação de Elizeu Freitas, justificando que jamais trairia um amigo.
Dos 15 vereadores, votaram pela cassação: Chiquinho Almeida, Valdomiro Cardoso, Chico do Rosário, Raimundo Vermelho, Adoaldo Santos, Alim Chaves, Eli Cavalcante, Zeferino Almeida, Juarandí Araújo, Wilson Rossói, Carlito Santos, Antônio Lima e Gil Lopes.
Após a confirmação da cassação, o vice-prefeito Bena Almeida assumiu o comando da Prefeitura e rompeu politicamente com Elizeu Freitas.
Elizeu Freitas perdeu o mandato, mas, horas antes do início da sessão da Câmara, disse em alto e bom som: “Podem até me cassar, mas, na eleição do próximo ano para prefeito, só será eleito quem for apoiado por mim”. Parecia uma declaração maluca, mas não era.
Na eleição do ano seguinte, em 1996, Elizeu Freitas convidou o então vereador Nenzin para ser o candidato a prefeito do grupo. Nenzin aceitou o convite, mas enfrentava forte dificuldade para decolar, já que a ex-prefeita Daci Terceira pontuava com 70% nas pesquisas, seguida por Marcos Pacheco, enquanto Nenzin aparecia com apenas 3%.
Era praticamente impossível virar o jogo, mas Elizeu conseguiu. Ele foi até São Luís, pediu uma reunião com a então governadora Roseana Sarney e disse que o grupo precisava eleger Nenzin prefeito. A governadora perguntou a Elizeu qual milagre poderia ser feito para reverter a situação, já que Daci Terceira liderava com 70% nas pesquisas. Elizeu respondeu que bastava apenas colocar 2 km de asfalto na cidade, já que não existia sequer um palmo, inaugurar a obra segurando na mão de Nenzin e participar de três comícios.
Roseana topou o desafio, levou o asfalto, inaugurou a obra ao lado de Nenzin, participou de três comícios e conseguiu virar a eleição, elegendo Nenzin prefeito em 1996.
O elevado índice de aprovação da governadora Roseana Sarney e a força política de Elizeu Freitas foram determinantes para a vitória de Nenzin.





