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Mais de 110 homens morreram com câncer de pênis no Maranhão

Além das mais de 110 mortes nos últimos cinco anos, o número de homens com pênis amputados ultrapassa 200. O Maranhão lidera no Brasil os casos. A falta de higiene pessoal é uma das principais causas.

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O Maranhão se mantém, pelo quarto ano consecutivo, como o estado com maior número de amputações penianas e óbitos provocados pelo câncer de pênis no Brasil, segundo dados consolidados pela Secretaria de Estado da Saúde e instituições de referência em urologia. Entre 2020 e 2023, mais de 110 homens morreram e mais de 200 precisaram amputar total ou parcialmente o pênis devido ao avanço da doença — números que colocam o estado no topo do ranking nacional e entre os mais críticos do mundo. Especialistas apontam que a situação reflete uma combinação de fatores socioeconômicos, culturais e estruturais da rede de saúde.

O câncer de pênis está diretamente relacionado à falta de higiene genital, à presença de fimose não tratada, infecções por HPV e ao início tardio do diagnóstico, que ocorre quando o tumor já está avançado. No Maranhão, esses fatores se agravam pela baixa procura masculina por serviços de saúde e pelo tabu que cerca o tema. Em muitas regiões, sobretudo rurais, homens só buscam atendimento quando a dor e o odor se tornam insuportáveis, situação que os médicos descrevem como “cenário extremo e evitável”. Estudos também mostram que pobreza e baixa escolaridade elevam ainda mais o risco.

Para enfrentar o problema, o governo do Maranhão lançou recentemente a Linha de Cuidado da Saúde do Homem Maranhense, que inclui um protocolo específico para prevenção e diagnóstico do câncer de pênis. A estratégia envolve capacitação de equipes da Atenção Básica, incentivo ao exame genital de rotina, campanhas educativas em escolas e comunidades, e expansão da vacinação masculina contra o HPV — hoje ainda pouco buscada por adultos. Paralelamente, mutirões de cirurgia de postectomia (fimose) vêm sendo realizados em São Luís, Imperatriz e Caxias, já que a fimose é um dos principais fatores de risco associados ao surgimento do tumor.

Apesar dos avanços, urologistas alertam que a mudança real depende de uma ação conjunta: políticas públicas contínuas, comunicação clara voltada ao público masculino e acesso mais fácil a especialistas em todo o estado. Caso contrário, o Maranhão poderá continuar ocupando um posto que nenhum estado deseja: o de maior incidência e mortalidade por um câncer quase sempre prevenível. Para os profissionais, o recado é direto: “homens precisam olhar para a própria saúde íntima sem vergonha — porque vergonha mesmo é morrer de uma doença que poderia ter sido evitada”.

 

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