×

Notícias

FÉ NA BOCA, CULPA NO “DIABO” E A POLÍCIA FEDERAL NA PORTA: O ROTEIRO REPETIDO DA POLÍTICA NO MARANHÃO

Praticam corrupção e são alvos de operações da Polícia Federal; buscam os microfones das igrejas para colocar culpa no diabo e demais inimigos políticos. E disparam contra o Poder Judiciário.

fe-na-boca-culpa-no-diabo-e-a-

Nos últimos dez anos, tornou-se comum, e também vergonhoso,  ver parte dos políticos do Maranhão atribuírem ao “diabo” a culpa por se tornarem alvos de operações da Polícia Federal, muitas vezes em meio a suspeitas e práticas criminosas de corrupção.

O comportamento contrasta com o passado. Houve um tempo em que políticos mantinham distância dos templos das igrejas dos chamados “crentes”, hoje amplamente conhecidos como igrejas evangélicas. Aqueles fiéis, que combatiam o pecado em todas as suas formas, eram frequentemente evitados e rotulados de protestantes.

De uma década para cá, o cenário mudou, e muito. Muitos políticos deixaram de frequentar missas e passaram a marcar presença em cultos evangélicos, ocupando, inclusive, espaços de destaque nos púlpitos.

No entanto, quando a Polícia Federal bate à porta, o discurso se repete: surgem notas de esclarecimento que apontam dois culpados recorrentes, o “diabo” e a oposição, acompanhadas de ataques ao Poder Judiciário.

O município de Turilândia surge como um exemplo emblemático dessa prática. O prefeito Paulo Curió se apresentava nas redes sociais como um evangélico atuante, frequentador de cultos, ao mesmo tempo em que, segundo investigações, participava de um esquema de desvio de recursos públicos ao lado de uma organização criminosa. Ele está preso desde o Natal de 2025 na penitenciária de Pedrinhas.

Casos como esse não são isolados. Ao longo da última década, diversas operações da Polícia Federal alcançaram políticos no estado.

Mais recentemente, dois deputados federais do Maranhão foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva, após exigirem propina do então prefeito de São José de Ribamar. Por pouco, não foram também condenados por organização criminosa. A ministra Cármen Lúcia chegou a afirmar não ter dúvidas de que se tratava de um grupo criminoso perigoso.

Mesmo diante de um conjunto robusto de provas apresentado pela Polícia Federal, as reações chamaram atenção. Tanto Josimar Maranhãozinho quanto Pastor Gil receberam manifestações públicas de apoio e solidariedade nos dias seguintes à condenação.

A CGADB, por meio de seu conselho político, chegou a se deslocar até Brasília para prestar apoio ao Pastor Gil, evidenciando a aproximação cada vez maior entre setores da política e lideranças religiosas. Pastor Gil precisa também ser punido pela igreja, de forma exemplar, assim como punem uma moça evangélica quando se relaciona com um rapaz não evangélico.

Nesse contexto, cresce a percepção de que a política vem contaminando parte dos líderes religiosos e evangélicos. Ainda assim, igreja verdadeira permanece intacta,  “comprada e lavada com o sangue de Jesus Cristo”, e todos que a empurram para a arena perigosa da política partidária irão de pagar um preço muito alto, perante o próprio Deus.

Para muitos, o diagnóstico é duro e direto: o Maranhão segue preso a um ciclo de fracasso alimentado pela corrupção, do qual poucos conseguem escapar.

O que se desenha, no entanto, é um cenário preocupante: um estado marcado por sucessivos escândalos, onde a corrupção parece ter se enraizado em grande parte da classe política.

Faça um comentário