São Luís, 15 de maio de 2021
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Desde a redemocratização do Brasil em 1988: Qual presidente da República perseguiu a Igreja?

Analisando a história, percebe-se que, todas as vezes em que líderes evangélicos e católicos se envolveram e comungaram com os governos políticos partidários, se tornaram corruptos ou omissos perante as práticas de corrupção.

Desde a redemocratização do Brasil em 1988: Qual presidente da República perseguiu a Igreja?

No auge da ascensão do cristianismo por volta dos séculos I – IV d.C. os cristãos viviam numa máxima ascensão de pureza e santidade, seus fieis eram de fato leais ao evangelho e ao rebanho do bom pastor. Mas, por outro lado, esse período foi marcado pelos diversos massacres contra os cristãos da época, tendo o filho de Deus como a primeira vítima dessa perseguição.

As marcas de tal perseguição fez com que várias escrituras sagradas que discorriam sobre a vida de Jesus e dos apóstolos fossem destruídas. Milhares de pessoas foram mortas cruelmente simplesmente por se declararem cristã. A intolerância era tamanha que os rituais religiosos tinham que serem feitos escondidos em catacumbas e cavernas espalhadas pelo território Romano.

Nessa época os cristãos eram tidos como criminosos e tinham que ser condenados à morte da maneira mais brutal possível, simplesmente por professarem a fé cristã. Tais perseguições foram cessadas apenas depois da conversão do Imperador Constantino por volta do ano de 312 da nossa era. CONTINUE LENDO ABAIXO A MATÉRIA;

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No ano de 380, o Imperador Teodósio I decretou o cristianismo como religião oficial do Império Romano, fazendo da igreja uma aliada do governo. Com a queda de Constantinopla, a igreja tomou poder absoluto do Império Romano e de boa parte do ocidente e oriente.

A igreja que conservava a pureza, caridade, temperança, diligência, paciência, bondade/benevolência e humildade,  começou a adquirir condutas totalmente diferentes das originais. Iniciou-se então o período de corrupção religiosa, onde as virtudes ficaram de lado abrindo alas para a luxúria, avareza, simonia, prepotência e soberba. Sempre que foi verificado uma união entre igreja e Estado constata-se a participação eclesiástica no meio corrupto.

Antes da ditadura o movimento chamado Marcha da Família com Deus pela Liberdade ocorrido entre 19 de março e 8 de junho de 1964, que movimentou mais de um milhão de pessoas deu espaço substancial para o estabelecimento do golpe militar.

Entretanto, na Ditadura Militar, alguns religiosos também sofreram com a perseguições, tanto pela censura como pelo silenciamento. Quando o sistema político-democrático foi instaurado no Brasil, foi percebido que os líderes religiosos detinham a maior influência da população.

Passados alguns anos, a pergunta que prevalece é: será que algum dos presidentes da nova república (ou sexta republica brasileira) perseguiu a igreja ou dificultou a liberdade religiosa de alguma delas?

Desde 1988, ano em que foi escrita e promulgada a Constituição Federal, apenas a ex-presidente Dilma não participou da Assembleia Geral para escrever a Carta Magna, pelo fato dela não ser naquele período deputada federal ou senadora. Todos os demais participaram, sendo eles; Fernando Collor de Melo, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer. Todos eles votaram pela liberdade de crença e culto. José Sarney não era parlamentar, pois ocupava o cargo de presidente da República, ou seja, comandou a transição do regime militar para Democracia. O atual presidente Bolsonaro não era deputado no período em que ocorreu a Assembleia Constituinte.

No caso do Presidente José Sarney empossado em 1985 e governou até 1990, o primeiro presidente civil depois de 21 anos de ditadura militar, tinha sua relação com a igreja bastante harmônica, católico praticante, negou-se até mesmo ser do partido comunista em razão de tais ações serem contra a doutrina da sua religião. Ele também sentia muita admiração a todos aqueles que se dedicavam ao trabalho moral e social em prol do evangelho. E foi ele que colocou a expressão “Deus Seja Louvado” nas cédulas do dinheiro brasileiro através de um Decreto em 1988.

Já o ex-presidente Fernando Collor de Melo, manteve-se consciente no que se refere a influência da igreja e seus discursos morais, tão tal que o mesmo utilizou temas como aborto na sua última campanha eleitoral 1989, com o pronunciamento da ex-namorada do então candidato Lula, falando que o mesmo havia pedido para que ela interrompesse a gravidez. Tal pronunciamento fez com que mudasse todo o rumo das eleições daquele ano.

Para a ascender o seu governo, o ex-presidente Lula teve um forte apoio das Comunidades Eclesiais de Base (CEB´s) para poder ter uma maior notoriedade política. Apoio esse que deu originalidade ao Partido dos Trabalhadores (PT) influenciado também pela CPT (Comissão Pastoral da Terra).

De todos os oito presidentes da nova República, apenas Fernando Henrique Cardoso se declarou agnóstico. Em uma entrevista ao Globo News, em janeiro de 2014, ele disse:

“[…] Eu não vou dizer que [Deus] existe ou não existe e eu respeito as religiões. Em certos momentos eu tenho até um sentimento que, digamos, transcendente. Eu sou uma pessoa que eu gosto de ritual, eu gosto das missas, mas não é só isso. Eu acho que em certos momentos você tem que ter algo que vá além do cotidiano”.

Como estratégia de campanha, muitos dos candidatos apresentam propostas e benefícios aos líderes que são seduzidos a prestar apoio para tal político. Com isso, ao invés de se preocupar com as coisas do reino, muitos líderes evangélicos e católicos passaram a ter mais interesse pelos benefícios oferecido pelos palácios, morada temporária dos governantes.

No Maranhão, por exemplo, nunca se presenciou durante toda a história, uma quantidade tão expressiva de pastores e alguns padres envolvidos com política e ligados ao Palácio dos Leões, sede do governo do Estado. Fora criado uma função batizada de CAPELÃO onde até fevereiro deste ano rendia altíssimos salários a tais líderes, uma forma encontrada pelo governo Comunista para atrair o apoio da igreja. Os salários de tais no governo do Maranhão variava entre R$ 3 mil e R$ 17 mil por mês. A pedido do Procurador da República, Augusto Aras, o STF deu um basta na farra e determinou ao governador Flávio Dino a não usar mais o dinheiro público em benefício de pastores e padres, através do cargo de capelão sem o crivo do concurso público.

Falar que a igreja pratica corrupção ou que apoia a corrupção, jamais um ser humano que se julga temente a Cristo pode afirmar. O que leva o mundo apontar o dedo para a igreja, são devido as práticas por parte de muitos pastores e padres que, por interesses pessoais junto aos governos, fecham seus olhos perante a corrupção.

Voltando ao assunto de quais presidentes perseguiram a igreja no Brasil desde a redemocratização do País em 1988, chega-se portanto a conclusão de que, nenhum deles, deu sequer um sinal mínimo com desejo de perseguir a igreja brasileira, seja ela evangélica ou católica ou qualquer outro tipo de crença.

Segundo o IBGE, o período em que a igreja evangélica mais cresceu em número de membros no Brasil, foi entre 2000 a 2010. O crescimento foi de 61% e os novos adeptos ficaram distribuídos da seguinte forma;

Igreja Batista 3,7 milhões, Igreja Presbiteriana 1,5 milhão, Igreja Luterana 1 milhão e Medotista 340 mil. Há também a Igreja adventista 1,5 milhão.

Entre as pentecostais e  neopentecostais, as igrejas com o maior número novos seguidores entre os anos 2000 a 2010 foram;  Assembleia de Deus 12,3 milhões, Congregação Cristã no Brasil 2,3 milhões, Igreja Universal do Reino de Deus 1,8 milhão e a Igreja do Evangelho Quadrangular 1,8 milhão.

E foi justamente na década de 90 e parte dos primeiros anos da era 2000 em que os líderes evangélicos quase não se envolviam em política e tinham como foco a pregação do evangelho de Cristo.

A pergunta é; os líderes evangélicos erraram no passado em não se misturarem com a classe política?

Por qual motivo a igreja católica perdeu tantos fiéis na década de 80 e parte dos anos 2000 no Brasil?

Será se a igreja evangélica passou naquele período a focar naquilo que ela tinha de fato como missão principal?

Segundo o pastor Gilvan Rodrigues de Oliveira, auxiliar da igreja Assembleia de Deus na Paraíba, ele disse uma certa vez; “Cristo já morreu na cruz em nosso favor e em favor da sua noiva, a Igreja. Portanto, ela não precisa de defensor na política para que ela marche contra o inimigo de nossas almas”.

Desde 2014 boa parte dos líderes evangélicos e católicos deixaram de lado a missão maior que é de pregar o evangelho de Cristo e passaram a praticar a política partidária, visando cargos e favorecimentos em governos.

Segundo o pastor Sayão, a igreja, como instituição, nunca deve se envolver na política. “A igreja, como instituição, tem um foco: a missão de anunciar o Evangelho e trazer esse Evangelho para o homem sem Cristo”.

No entanto, Sayão não descarta o envolvimento dos cristãos nas questões políticas. “Os indivíduos cristãos que fazem parte da igreja não só tem o dever, mas a responsabilidade de se envolver politicamente para fazerem diferença no meio onde estão, assim como Daniel fez quando estava na Babilônia”, disse ele.

 

Texto: Willy Santos e Gildásio Brito

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